Entrevista de Emprego – Parte II

By Endora

Pois então. E não é que, mesmo falando que ouvia vozes e que curtia Roberto Carlos, eu passei na primeira fase daquela tal entrevista?

Passei. E na atual conjuntura, passar até na catraca do ônibus tá valendo para aumentar a minha auto-estima. Nesta “segunda fase” do processo seletivo para a tal vaga [que é quase que uma Fuvest, pelo que eu tô vendo] o lance era, como disse a própria psicóloga-entrevistadora, “um pouco mais próximo, pra saber um pouco mais de você“. Tá bom. Lá tô eu, no melhor momento ego trip falando sobre quem eu sou, o que eu faço, o que eu gosto, como é minha família, qual o último livro que eu li e bla bla bla whiskas-sachê. Até aí, tudo bem, era algo que eu esperava e, apesar de não passar por essa chatice há um certo tempo, se tem uma coisa que você não esquece [além de andar de bicicleta] é esquema de entrevista: uma vez aprendido, você está treinado para a vida inteira precisando, talvez, realizar apenas [momento anglicismo pedante] pequenos upgrades.

Qual foi minha surpresa ao ouvir a entrevistadora [ressaltando o aspecto "conservador" da organização em questão] perguntando se, caso selecionada, eu tiraria o piercing do nariz e se eu toparia um visual mais “formal” para o dia-a-dia. Aí não me aguentei:

- Olha só: não tiro o piercing porque minha conduta profissional não está relacionada a um adereço. Não me fantasio de executiva pra garantir um salário. E digo mais: tenho três tatuagens e duas delas cobrem metade de cada um dos meus braços. Levando tudo isso em consideração [mais o aspecto conservador dessa empresa aí], acho, honestamente, que não sirvo pra eles. E sério: não acho que essa empresa também sirva pra mim. Então, diga pro pessoal de lá que eu desejei um bom dia, uma boa vida e um passar bem.

E fui embora, feliz da vida, tirar meu RG e minha CNH no Poupa Tempo.

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Uma resposta para “Entrevista de Emprego – Parte II”

  1. marjorierodrigues Disse:

    que empresa era, cá entre nós?

    haha um dos meus critérios na hora de escolher uma profissão é que eu não precisasse ficar o dia inteiro “fantasiada”, com um scarpin massacrando meu dedinho. já vou logo pra entrevista de all star que é pra verem que eu sou incapaz de trabalhar com o pé espremido.

    PS – não é tão curtinho quanto o seu… tá cortado em camadas. a mais curta no queixo, a mais comprida no ombro.

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