Retrato da Nova Literatura

By Endora

A Revista da Folha trouxe nesta edição de domingo um especial chamado “100 palavras” onde escritores da nova geração foram convidados a produzir microcontos tendo a cidade de São Paulo como pano de fundo. A descrença expressa pelos jovens escritores em suas histórias não é diferente da que eu tenho por essa leva de novos autores: dos 12 textos publicados, apenas dois tiveram um mínimo de originalidade na sua concepção dramático-fatalista: “200 m2″ de Veronica Stigger e “Piqueri” de Fabio Daniel Rossi. Coincidentemente, ambos tratavam de suicídio. Os outros dez [incluindo o texto de um ganhador de um Prêmio Jabuti] nada mais eram do que tentativas juvenis de expressar uma retórica pedante [que atingiu seu ápice de pseudo-intelectualidade com um tal de "Assacinato Enprol D´Ofíssio" de uma tal de Bruna Beber].

Enfim. A melhor parte da proposta da Revista não apareceu nos contos e sim, no depoimento da escritora, doutora em literatura e colaboradora do jornal, Noemi Jaffe:

” ‘Parece que há uma tendência na literatura contemporânea a uma pseudo-imitação de Rubem Fonseca, mas de forma fácil’, diz. Para ela, os jovens autores demonstram um apego ao maldito, de uma vontade de chocar e de se mostrar marginal que beira a adolescência (1)”.

Eis o retrato na nossa nova literatura.

(1) PIEMONTE, Marianne. Conte até 100. Revista da Folha. Edição 800. P.20. 13 jan 2008.

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5 Respostas para “Retrato da Nova Literatura”

  1. Rok Disse:

    Pô, gostei disso aí que v. me escreveu, como perdi, depois me mostra os microcontos que v. gostou, sim?

  2. Edu Disse:

    O único conto que se salva na Revista, a meu ver, é o da Verônica Stigger. E, a meu ver também, não é um conto sobre suicídio, mas sobre literatura. Li e reli o conto, e me pareceu que ela apresenta o suicídio como uma metáfora do ato da escrita, de quanto o escritor tem que se matar (anular sua identidade primária, cotidiana) para que a obra exista. Certamente a personagem não se chama Verônica por acaso.

  3. Marjorie Disse:

    Não comprei o jornal esse domingo, mas tenho senha do UOL e vou dar uma olhada.

    Mas, gentê, essa galera saiu toda da mesma chocadeira que a Clarah Averbuck. Eles querem chocar com uma “marginalidade”, com uma podridão, com uma “alternatividade” (?) que só deixaria de cabelo em pé o pessoal da era vitoriana. Bocejos, bocejos.

    Por isso gosto muito pouco (ou quase nada ou nada mesmo) de boa parte da galera de agora. O jeito é ser leitor reaça mesmo. Tchau, Bukowski. Machado de Assis na cabeça!

  4. Rok Disse:

    eu gosto do marcelino freire, mas esse conto dele aí tava xoxinho. valeu, endora.

  5. Rok Disse:

    e o jabuti dele foi merecido, sim senhora.

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