Michael Jackson morreu. Vamos fazer um minuto de moonwalk:
Michael Jackson morreu. Vamos fazer um minuto de moonwalk:
A situação inverteu-se? Nem tanto, mas talvez um pouco. Os homens, os que são pais, brigam por licenças-paternidade iguais às das mulheres e estas, as que são mães, agradecem. Principalmente porque a carga de trabalho doméstico diminui: as avós [que também são mães e sogras] ganham seu título em plenitude, ao invés de serem as mães-substitutas ou as babás de sangue, apenas. Sim, brigamos e queimamos sutiãs. Gritamos para votar, para nos divorciar e quem sabe, em breve, gritamos o suficiente para recebermos o direito de abortar, mas antes precisamos nos libertar da culpa católica, ah, a culpa católica…
Não vejo um caminho de volta. Agora é, já foi e o que será? Vivemos dilemas masculinos mas não foi por isso que pedimos. Queríamos a igualdade dos sexos mas isso não implica nos tornamos machos. Somos mulheres, mulherzinhas. Não me ofendo com uma porta aberta, com uma cadeira empurrada ou com uma mão levemente esticada indicando passagem. E talvez por isso eu não queira viver um dilema masculino mascarado por uma suposta libertação feminina.
Taí um dos clipes mais legais dos últimos [breves] tempos contemporâneos…
Não, não fui à Parada Gay, programa quase que obrigatório deste final de semana na cidade de São Paulo. Na verdade, passei boa parte do tempo lendo, comendo, bebendo e vendo filme. Nesse sentido, foram dias bem produtivos. Privei-me de todas as obrigações: faltei à aula de Tcheco, não fui visitar minha mãe, abandonei os freelas ao léu e saí pela cidade rumo à boa comida e bebida na companhia de bons amigos.
Finalmente assisti a “Fale Com Ela” depois de ter me sentido meio que excluída de uma conversa quando todo mundo na mesa começou a falar de Almodóvar, a fazer piadinhas internas sobre os filmes e a cantar “Cu curu cucucu, Paloooooooma”… Sim, lá estava eu com uma enorme cara de paisagem programando uma sessão ROOTS de Almodóvar para o domingo. Na verdade, acabei alugando junto com a minha roomate um filme de Godard também, “Acossados”, porque estávamos discutindo outro dia sobre cinema quando nos demos conta de que nenhuma de nós havia assistido até então um filme de Godard. O irmão dela vaticinou que Godard era um saco, mas preferimos acreditar que éramos pessoas iluminadas que iriam compreender a Nouvelle Vague.
O filme começou e eu dormi depois de 20 minutos.
Fiquei me sentindo meio boba, mas acordei com um grito dela, um “putaquepariu” logo que o filme terminou. Perguntei: “Nossa, é bom?” e ela me olhou com os olhos da obstinação intelectual cinematográfica que lhe é peculiar e me disse:
- Esse filme é uma bosta.
Não, não somos pessoas iluminadas e tampouco estamos preparadas para a Nouvelle Vague.
Ainda que tendo preenchido quase todas as lacunas do feriado, uma ainda aguarda pela sua palavra-chave. E pensar que quando criança eu ansiava por crescer para ter problemas de adultos…
No workshop “Gravidez na Adolescência” promovido pela Fundação Abrinq, uma das palestrantes, Carmita Najjar Abdo, ao falar sobre a importância da educação sexual como meio de prevenir abuso, exploração sexual e a gravidez na adolescência, solta essa [com a devida liberdade da paráfrase que aqui faço]:
“Estamos educando as meninas para que tenham uma profissão, para tenham uma vida independente mas os meninos não tem sido educados para que procurem por essas mulheres”.
Ei! Incrível, não?

Cara Kim Deal: ainda dividiremos um maço de Marlboro em alguma esquina do mundo.
Eu ainda acredito que um mundo perfeito está por vir e nele, todas as discussões filosóficas, existenciais e até mesmo populares estarão embasadas em conceitos musicais. Toda uma era de revolução pode ser retratada por meio do movimento punk. Esse mundo quase existiu, ao menos no Brasil, quando tivemos o Tropicalismo e toda uma estética sócio-cultural influenciada principalmente por meio de um movimento musical. Mas a gente é bem bobo mesmo, deixou isso passar, olha aí no que é que deu…
Enfim, isso não importa mesmo até porque, daqui a 500 anos nosso pós-modernismo será novamente Idade Média.
Duo de garoto+garota nos vocais de bandas indies é a velha [nova] moda: Deadboy and the Elephantmen, Dresden Dolls, The Like Young, Glasvegas, Arcade Fire, Stars, Architecture In Helsinki, Delgados… todo mundo investindo no modelo.
E Pixies já fazia isso com Frank Black e Kim Deal na melhor combinação possível há, no mínimo, 20 anos.